Do Agreste para as telas de Gramado: povo Xukuru ganha destaque no maior festival de cinema do Brasil
Por Vitória Virginia
Documentário “Empeleitada”, codirigido pela cineasta indígena Mikaele Xukuru, representa Pesqueira na mostra competitiva do 54º Festival de Gramado e disputa o cobiçado troféu Kikito.
PESQUEIRA (PE) — A força, a memória e a ancestralidade do povo indígena Xukuru do Ororubá chegam a um dos principais palcos do cinema brasileiro. O documentário pernambucano “Empeleitada”, rodado no território Xukuru, em Pesqueira, foi selecionado para a mostra oficial e competitiva do 54º Festival de Gramado, considerado um dos mais importantes festivais de cinema do país.
Codirigido pela cineasta indígena Mikaele Xukuru, ao lado de Chico Ludermir e Sergio Borges, o longa concorre na categoria de longa-metragem documental ao Kikito, um dos troféus mais relevantes do audiovisual brasileiro.
Filmado na Aldeia Pedra D’água, no território Xukuru do Ororubá, o documentário acompanha a construção coletiva de uma casa de taipa. A obra transforma o trabalho comunitário em narrativa cinematográfica para abordar memória, identidade, ancestralidade e resistência.
Mais do que registrar a construção de uma moradia, “Empeleitada” apresenta uma casa que nasce da própria terra e carrega consigo histórias, lutas e saberes transmitidos entre gerações. O mutirão, elemento central da produção, revela a força da coletividade e a relação do povo Xukuru com seu território e com os encantados.
A presença do filme em Gramado também amplia a visibilidade do cinema indígena e coloca o território Xukuru de Pesqueira no centro do debate sobre a produção audiovisual contemporânea. A seleção representa ainda uma oportunidade de levar para outras partes do país uma narrativa construída a partir do olhar de quem vive e preserva essa memória.
A exibição de “Empeleitada” acontece nesta terça-feira (18), às 20h, durante a programação do Festival de Gramado. A produção disputa o Kikito ao lado de outros trabalhos selecionados para a tradicional competição documental.
Com a obra, o Agreste pernambucano atravessa as fronteiras do território e chega à Serra Gaúcha levando uma história construída coletivamente: a de um povo que transforma terra, memória e ancestralidade em cinema.