Festa grande, caixa zerado: Vereadores de situação protocolam CPI para investigar rombo nas contas da Festa de São José de Vertentes nas gestões do ex-prefeito Romero Leal
Por Paula Soares
Uma nova bomba explodiu na Câmara de Vereadores de Vertentes na sessão ordinária desta quarta-feira (27): foi apresentado o Requerimento 04/2026, de autoria da bancada de governo na Casa, pedindo a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as prestações de contas das edições de 2017 a 2025 da Festa de São José.
O pedido foi lido no Plenário e seguirá para análise da Comissão Permanente de Justiça e Redação.
Após o Requerimento 02/2026 — assinado tanto pelos vereadores apadrinhados pelo ex-prefeito Romero Leal quanto pelos liderados por Zito Barros, candidato derrotado nas urnas na última eleição — ter sido arquivado na Casa por graves falhas de construção e pela tentativa de pesca probatória, sem provas concretas e fato certo, a bancada de governo na Câmara decidiu contra-atacar ao ver a união dos vereadores de ambos os líderes da oposição.
Buscando expor as contradições do grupo oposicionista, que focou apenas na edição de 2026 da Festa de São José, os vereadores Kleiton Vieira, Geise da Máquina, Dona Santa e Zé Ivanildo decidiram ampliar o escopo da investigação para anos anteriores, com o intuito de confirmar se a bancada oposicionista decidiu pedir uma CPI apenas sobre este ano por conveniência política.
As provas juntadas ao Requerimento 04/2026 são robustas. Além de o relatório apontar fato determinado (supostos indícios de irregularidades na arrecadação), também mostra o grande contraste na arrecadação da festa nos anos citados. O requerimento faz uma conta simples: a festa monta em média 20 camarotes por ano. Ao preço médio de R$ 4.000,00 cada, deveriam entrar R$ 80.000,00 por ano só com camarotes. No entanto, em 2023 entrou apenas R$ 3.314,27 (total da festa) e em 2024 apenas R$ 4.389,28.
Em anos anteriores, como 2017, 2018 e 2019, não foi arrecadado nada, nem com camarotes, nem com barracas, ou seja, as contas estavam zeradas, mesmo as edições desses anos tendo acontecido normalmente. Em contrapartida, na edição de 2026, já sob a gestão do prefeito Israel Ferreira, a prestação de contas foi robusta: a prefeitura arrecadou e depositou em conta pública R$ 98.212,54 com barracas, gasoseiros, parques e camarotes.
A investigação mira o período de 2017 a 2024, correspondente às duas gestões do ex-prefeito Romero Leal. Mira também o ano de 2025, especificamente a atuação do Secretário Municipal de Cultura da época, Romerinho Leal, filho do ex-prefeito. O texto cita que ele e outros ex-secretários, como de Educação e Cultura desses anos, serão investigados e que testemunhas serão ouvidas para descobrir para onde ia o dinheiro em espécie que sumia.
Caso haja a abertura da CPI e fiquem comprovadas as supostas irregularidades ao final de todos os procedimentos, o Requerimento 04/2026 solicita o encaminhamento do relatório final ao Ministério Público para abertura de Ação de Improbidade Administrativa por enriquecimento ilícito e envio de ofício ao Promotor de Justiça para enquadrar o ex-gestor em Crime de Responsabilidade de Prefeito, de acordo com o Decreto-Lei nº 201/1967.