Coluna da sexta-feira: Mozart Sales, o nome por trás das engrenagens da saúde no Brasil
Brasília

Coluna da sexta-feira: Mozart Sales, o nome por trás das engrenagens da saúde no Brasil

Por Jamerson Ramos

O médico sanitarista Mozart Sales ocupa hoje uma posição singular no cenário da saúde pública brasileira: é, ao mesmo tempo, formulador de políticas estruturantes, operador político dentro do Governo Federal e personagem inserido em disputas que extrapolam o campo técnico. À frente da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, ele comanda justamente a área mais sensível do SUS, a média e alta complexidade, responsável por hospitais, exames e procedimentos especializados.

Sua trajetória ajuda a explicar esse protagonismo. Médico formado pela Universidade de Pernambuco, servidor de carreira e ex-vereador do Recife, Mozart construiu uma carreira híbrida entre gestão pública e política institucional, passando por cargos estratégicos desde o início dos anos 2000. No próprio Ministério da Saúde, acumulou funções relevantes, incluindo a chefia de gabinete de Alexandre Padilha, e a Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, posição a partir da qual participou diretamente da concepção do Programa Mais Médicos.

O Mais Médicos, lançado em 2013, é o principal marco de sua trajetória. A iniciativa buscou enfrentar a desigualdade na distribuição de profissionais no país, levando médicos a regiões periféricas e áreas remotas, muitas vezes por meio de cooperação internacional. Mais do que uma política pública, o programa teve forte impacto político, ao recolocar a saúde básica no centro do debate nacional e projetar seus formuladores para o núcleo das decisões estratégicas do Estado.

Esse capital técnico-político foi ampliado ao longo dos anos e consolidado na sua atual função, na qual atua como articulador entre União, estados e municípios, além de manter interlocução com o Congresso e instituições do setor. Trata-se de um perfil cada vez mais valorizado em Brasília: o de gestor que combina capacidade de formulação com habilidade política para executar políticas em larga escala.

Ao mesmo tempo, sua trajetória recente revela como esse tipo de protagonismo também atrai pressões externas. A revogação de seu visto pelos Estados Unidos, em 2025, foi justificada por autoridades americanas com base em sua participação no Mais Médicos, especialmente na cooperação com profissionais cubanos. O próprio Mozart classificou a medida como “injusta” e reafirmou a importância do programa para ampliar o acesso à saúde no Brasil.

Esse episódio evidencia um ponto central: Mozart Sales deixou de ser apenas um técnico da saúde para se tornar um ator inserido em disputas políticas de maior escala, inclusive no plano internacional. No Nordeste, especialmente em Pernambuco, sua presença reforça pontes entre o Governo Federal e a realidade local. No plano nacional, ele representa um tipo de liderança que emerge da gestão pública, mas que, pela dimensão de suas decisões e impactos, passa a ocupar espaço relevante no tabuleiro político brasileiro.

A mais votada? - Em entrevista exclusiva ao blog, Wolney celebrou a chegada de Marília Arraes ao PDT, prevendo que ela será a senadora mais votada da história do estado. Ele comentou as dificuldades de formar chapas proporcionais sem detentores de mandato, mas reafirmou o entusiasmo com a chapa de João Campos, classificando-a como "muito arrumada" e competitiva para o cenário eleitoral.

Senador de direita - Também durante entrevista exclusiva ao blog, o deputado federal André Ferreira detalhou a estratégia do PL para eleger Anderson Ferreira ao Senado, destacando o capital político de quase um milhão de votos obtidos por ele em 2022. André Ferreira criticou a gestão federal atual, mencionando escândalos de corrupção, e defendeu que Pernambuco precisa de um senador de direita com coragem para enfrentar esses temas no Congresso.

Ampliação de programas - O Ministro André de Paula destacou a enorme responsabilidade de assumir o que considera o setor mais importante da economia brasileira, ressaltando que o agronegócio é responsável por 25% do PIB, 28 milhões de empregos e mais de 40% das exportações do país. O ministro afirmou que enfrentará o desafio com trabalho e obstinação, buscando inspiração em sua primeira experiência na gestão pública como secretário de Produção Rural no governo de Jarbas Vasconcelos. Naquela ocasião, ele esteve à frente de projetos de impacto que perduram até hoje, como o programa "Leite de Pernambuco" e a regionalização da merenda escolar via Ceasa, experiências que pretende aplicar agora em sua gestão ministerial.

Trabalho e responsabilidade - “Será uma missão marcada por muito trabalho e responsabilidade. Buscarei contribuir para o avanço de um dos partidos que mais crescem em nossa democracia, o sexto maior da Câmara dos Deputados”. A fala é do novo líder do Republicanos na Câmara Federal, o deputado pernambucano Augusto Coutinho.

Diálogo - O ministro das Comunicações, Frederico Siqueira, participou nesta semana de uma reunião do presidente Lula com o seu time de ministros. “Um encontro marcado pelo diálogo, alinhamento e compromisso com aquilo que realmente importa: fazer os programas e projetos do Governo do Brasil chegarem na ponta, com resultados concretos para a população. Seguimos trabalhando com responsabilidade, integração e foco em entregas que transformam a vida dos brasileiros”, disse ele à Coluna.

Posicionamento de vida - O ex-deputado federal Milton Coelho falou à Coluna sobre sua filiação ao PT, depois de mais de 30 anos filiado ao PSB. “Essa mudança de partido reflete não apenas um posicionamento político, mas um posicionamento de vida. Defendo a soberania do Brasil e projetos que resgatem as políticas públicas para os trabalhadores”.

Consenso - Acontecerá na próxima semana, na Câmara Federal a eleição para a indicação do novo ministro do TCU (Tribunal de Contas da União). Ao todo, sete candidaturas foram registradas para a disputa pelo cargo. Segundo o deputado pernambucano André Ferreira, ainda existe a possibilidade de haver o consenso e apenas uma candidatura ser apresentada para votação. André defende o nome da deputada Soraya Santos, que foi indicada pelo seu partido, o PL.