Repasses milionários do Banco Master a escritório ligado à esposa de Moraes entram na mira da CPI
Por Roberto Oliveira
O Banco Master transferiu cerca de R$ 80 milhões ao escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, entre os anos de 2024 e 2025. As informações constam em dados da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado e divulgados pela imprensa.
De acordo com os registros, os repasses teriam sido realizados em 24 parcelas mensais de aproximadamente R$ 3,6 milhões, entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025.
Os valores referem-se à contratação do escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, cuja atuação junto ao banco já havia sido revelada anteriormente. Em nota, a banca informou que prestou serviços de consultoria e assessoria jurídica, além de ter coordenado o trabalho de outros três escritórios especializados vinculados ao contrato.
O escritório destacou que não houve atuação em processos no âmbito do STF e informou a realização de 94 reuniões com representantes do banco durante a vigência do contrato. O acordo previa inicialmente 36 parcelas, mas foi encerrado antes do prazo após a suspensão dos pagamentos em novembro de 2025.
A relação contratual foi finalizada no mesmo período em que o Banco Master enfrentava uma crise financeira. Quando teve a liquidação decretada pelo Banco Central, a instituição, que possuía cerca de R$ 80 bilhões em ativos, contava com apenas R$ 4 milhões em caixa, valor considerado insuficiente para cumprir suas obrigações.
A baixa liquidez foi o principal fator apontado pelo Banco Central para determinar o encerramento das atividades da instituição, controlada por Daniel Vorcaro, preso em março. A CPI do Crime Organizado, responsável por apurar o caso, deve ser encerrada na próxima semana por decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, apesar da oposição do relator, senador Alessandro Vieira.
Com informações do Correio Braziliense.