Após quatro décadas, Mendonça Filho rompe com União Brasil e busca novo rumo eleitoral
Por Roberto Oliveira
A saída de Mendonça Filho do União Brasil encerra um ciclo de 43 anos de militância política iniciado ainda nos tempos do antigo PFL, posteriormente DEM, marcando uma das mais simbólicas rupturas recentes na política pernambucana. Ao longo dessa trajetória, Mendonça construiu uma carreira sólida, exercendo mandatos como deputado estadual e deputado federal por quatro legislaturas, além de ocupar cargos de destaque como vice-governador de Pernambuco, governador do Estado, ministro da Educação e líder do DEM na Câmara dos Deputados, consolidando-se como uma das principais lideranças políticas do Estado.
Nos bastidores, conforme apurado pelo Blog do Alberes, o desgaste interno no União Brasil foi determinante para a decisão. Mendonça Filho teria sido progressivamente esvaziado dentro da legenda, sem conseguir ocupar posições estratégicas prometidas, como a liderança na Câmara dos Deputados. Em Pernambuco, a ascensão do grupo político liderado por Miguel Coelho ao comando do diretório estadual, com o aval do presidente nacional Antonio Rueda, acabou por deslocar Mendonça do centro das decisões partidárias, aprofundando seu isolamento político.
O cenário se agravou com a formação da federação União Progressista, que consolidou ainda mais a perda de espaço do ex-ministro dentro da estrutura partidária. Mesmo sendo aliado de primeira hora da governadora Raquel Lyra, a quem segue como aliado incondicional, Mendonça não conseguiu garantir o espaço político necessário para preservar seus redutos eleitorais e viabilizar uma nova candidatura competitiva à Câmara dos Deputados.
O episódio mais recente que evidenciou esse isolamento ocorreu durante a reconfiguração política promovida pelo governo estadual, em meio ao embate com o deputado Eduardo da Fonte. A governadora decidiu redistribuir espaços estratégicos, contemplando o grupo de Miguel Coelho com posições relevantes, como a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, o Porto do Recife e a presidência da Lafepe, sem incluir Mendonça Filho em qualquer composição, nem mesmo em atos simbólicos, como convites para posses. O gesto foi interpretado como um sinal claro de afastamento político.
Diante desse cenário, Mendonça iniciou articulações para sua filiação ao Partido Liberal. Ainda houve uma tentativa de reverter sua saída, com movimentações envolvendo Raquel Lyra, Miguel Coelho, Eduardo da Fonte, Antonio Rueda e ACM Neto, mas o desgaste acumulado tornou a decisão irreversível. Aliados próximos relatam que o ex-ministro já se sentia profundamente desvalorizado dentro do partido.
Analistas políticos avaliam que a mudança pode representar uma virada estratégica na trajetória de Mendonça Filho. Ao se posicionar com possível alinhamento ao senador Flávio Bolsonaro, a expectativa é de que ele consiga ampliar sua base eleitoral e alcançar uma votação expressiva nas próximas eleições, podendo superar a marca dos 100 mil votos para deputado federal.