Coluna da terça-feira: Quem tem Lula, tem voto
Política

Coluna da terça-feira: Quem tem Lula, tem voto

Por Jamerson Ramos

A ausência do senador Humberto Costa (PT), no evento em que o prefeito do Recife, João Campos (PSB), oficializou Marília Arraes (PDT) como candidata ao Senado e Carlos Costa (Republicanos) como vice, na última sexta-feira (20), acendeu o alerta nos bastidores e intensificou os rumores de insatisfação dentro do PT com a composição.

Mesmo com duas vagas em disputa para o Senado em 2026, a avaliação interna é de que haverá, sim, uma disputa direta dentro do próprio campo da esquerda. Humberto e Marília, ainda que no mesmo palanque, tendem a travar uma corrida voto a voto, buscando protagonismo e ocupando espaços distintos dentro do eleitorado progressista.

Hoje, Marília Arraes larga com vantagem. As pesquisas indicam a pedetista na liderança, impulsionada por recall eleitoral, presença constante nas disputas majoritárias e forte capilaridade no interior. Sua votação expressiva nas últimas eleições e a identificação com o legado do arraesismo reforçam esse cenário.

Por outro lado, subestimar Humberto Costa seria um erro. O senador carrega o peso de uma estrutura partidária consolidada, trânsito em Brasília, nas cidades pernambucanas e, principalmente, o apoio direto de Lula - o maior cabo eleitoral do estado.

E é justamente aí que o jogo muda de patamar. Lula segue sendo, historicamente, uma força quase imbatível em Pernambuco. Sua influência foi determinante, por exemplo, na eleição de Teresa Leitão em 2022, que saiu de um cenário competitivo para uma vitória consolidada com o apoio direto do presidente.

Em um estado onde o lulismo tem forte enraizamento popular, especialmente entre as camadas mais pobres, o endosso do presidente não apenas fortalece - ele redefine cenários.

Nos bastidores do PT, uma reunião decisiva deve acontecer nos próximos dias para bater o martelo sobre a participação de Humberto na chapa de João - ou, ao menos, alinhar definitivamente os termos dessa aliança. Apesar dos ruídos, a tendência majoritária ainda é de manutenção da unidade, sobretudo por conta da estratégia nacional, que passa pela aliança com o PSB.

Na prática, o que se desenha é um embate interessante dentro da própria base governista: de um lado, Marília, com força eleitoral, carisma e liderança nas pesquisas; do outro, Humberto, com estrutura partidária, experiência e o peso decisivo de Lula no palanque.

Se hoje Marília aparece na frente, a entrada efetiva de Lula na campanha pode equilibrar - ou até inverter -, esse cenário. Em Pernambuco, não é apenas sobre quem tem voto; é sobre quem tem Lula.

Representatividade - “Carlinhos é o vereador com maior representatividade junto ao povo de Santa Cruz do Capibaribe. Uma pessoa de voz, de coragem e credibilidade dentro do nosso grupo”. A fala é do deputado estadual Diogo Moraes, que na manhã desta segunda-feira, em entrevista a Rede Pernambuco de Rádios, comemorou o anúncio de apoio do vereador santa-cruzense Carlinhos da COHAB ao seu projeto de reeleição.

Na hora certa - Diogo falou ainda sobre a possibilidade de se filiar a um dos partidos que compõem a Federação Brasil da Esperança, PT, PV e PCdoB. “Estou trabalhando para não ocorrer o que ocorreu em 2022. Estou construindo uma candidatura mais abrangente e com mais estrutura fora de nossa região. Tenho hoje uma base sólida, grande e organizada. Quanto a minha filiação partidária, na hora certa, ouvindo a Frente Popular, tomarei a melhor decisão”.

Agora é Túlio - Ganha força nos bastidores da política pernambucana a possibilidade de o deputado Túlio Gadelha ser convidado para compor a chapa da governadora Raquel Lyra, sendo candidato ao Senado Federal. Túlio daria o molho de ‘esquerdismo’ que Raquel necessitaria para a disputa majoritária. Resta saber se Túlio topará ou não o desafio, já que ele tem uma reeleição bem encaminhada para a Câmara Federal.

Marcha à ré - Os últimos moídos e ruídos na política estadual, envolvendo a governadora Raquel Lyra e o PP do deputado Eduardo da Fonte fizeram com o que muita gente recalculasse movimentos estratégicos importantes. Uma dessas personalidades é o deputado Fernando Rodolfo, que esteva de malas prontas para desembarcar no PP, mas que com os últimos acontecimentos deve mesmo ir para o PRD.

Mudando - Quem também está de malas prontas para mudar de partido é o deputado estadual Edson Vieira. Ele irá para o Podemos, que no estado é presidido por Marcelo Gouvêia. A mudança de partido também sacramenta a mudança de apoio político de Edson na disputa pelo Governo do estado. Ele retorna à base de apoio da governadora Raquel Lyra, a quem tecia ácidas críticas até bem pouco tempo.