Pastor Cleiton Collins propõe teto para cachês pagos com dinheiro público e endurece discurso contra abusos
Pernambuco

Pastor Cleiton Collins propõe teto para cachês pagos com dinheiro público e endurece discurso contra abusos

Por Roberto Oliveira

O deputado estadual Pastor Cleiton Collins (PP), autor do projeto de lei que impõe um limite aos cachês pagos com recursos públicos, voltou a defender a proposta na manhã desta quinta-feira (5) com um discurso firme e direto. O texto fixa um teto de aproximadamente 300 salários mínimos por apresentação, com duração máxima de uma hora, para contratações feitas por governos estaduais e prefeituras.

Com o projeto em tramitação na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), Collins afirmou que o debate seguirá aberto, mas deixou claro que a iniciativa enfrenta um problema concreto e recorrente: o uso descontrolado de dinheiro público em contratações milionárias. Para ampliar a discussão, o parlamentar anunciou a realização de uma audiência pública, com a presença do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), do Tribunal de Contas do Estado (TCE), prefeitos, representantes das prefeituras, artistas e a sociedade civil.

O deputado foi categórico ao afirmar que a proposta não atinge a cultura, mas ataca diretamente excessos que se tornaram rotina na administração pública. “Os eventos são importantes, geram emprego, renda, fortalecem a cultura e movimentam a economia. O que não é aceitável é a total falta de limite no uso do dinheiro público, como se os cofres fossem inesgotáveis”, afirmou.

Collins ressaltou que a realidade financeira de muitos municípios é crítica e exige responsabilidade. Segundo ele, não há qualquer justificativa para gastos desproporcionais enquanto serviços básicos enfrentam dificuldades. O parlamentar destacou ainda que artistas têm plena capacidade de adequar valores conforme o porte e a realidade de cada cidade.

“Não é razoável cobrar o mesmo valor de um pequeno município e de uma grande capital. O teto de 300 salários mínimos existe exatamente para impor equilíbrio, impedir abusos e estabelecer um parâmetro mínimo de justiça”, explicou.

O deputado voltou a atacar o pagamento de cachês milionários com dinheiro público em meio a carências estruturais. “É um contrassenso ver faltar recurso para remédio, saúde e educação enquanto se despejam valores exorbitantes em shows bancados pelo poder público”, disparou.

Ao concluir, Collins reforçou que o projeto busca pôr ordem onde hoje impera o excesso, estabelecendo critérios claros para os gastos públicos com eventos. “O teto não é contra artistas nem contra festas populares. É contra desperdício, descontrole e irresponsabilidade com o dinheiro do povo”, finalizou.