Brasil e EUA devem manter taxas de juros inalteradas
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Brasil e EUA devem manter taxas de juros inalteradas

Por Joily Santos

Os bancos centrais de Brasil e EUA devem manter as taxas de juros nos atuais patamares. Os comunicados a seguir é que serão foco de atenção

O mercado entra na quarta-feira decisiva para o Copom definir a taxa de juros com a expectativa praticamente fechada de manutenção da Selic em 15% ao ano, nível que vem sendo repetido desde o segundo semestre.

A dúvida não está no número, mas no recado. Investidores e analistas buscam sinais de quando o Banco Central pode abrir espaço para o primeiro corte, muito mais associado à próxima reunião do órgão, em março, do que hoje.

As projeções apontam que a inflação em marcadores importantes ainda impede qualquer movimento imediato. Serviços seguem rodando em patamar elevado, núcleos mostram resistência e o cenário externo continua exigente. Mesmo com o IPCA mais comportado no curto prazo, o Banco Central não ganhou margem suficiente para agir agora.

O tom do comunicado deve ser o principal fator de atenção do mercado em busca de uma sinalização que insinue se o corte viria já na próxima reunião. A aposta é de um texto cauteloso, que reconheça alguma melhora recente nos dados, mas reafirme a necessidade de observar os próximos meses.

A autoridade monetária tem evitado compromissos antecipados e deve seguir nesse caminho, sem recorrer a forward guidance indicando cortes iminentes de forma mais clara, garantindo margem de manobra.

A decisão do Federal Reserve, dos EUA, que também sai hoje um pouco mais cedo, pesa nesse quadro. Com os juros americanos provavelmente permanecendo estáveis e a economia americana ainda mostrando força, o Banco Central brasileiro tende a preservar a taxa elevada por mais tempo para evitar pressões sobre o câmbio e as expectativas de inflação.

Por isso, março segue sendo a janela provável para o início de um ciclo de queda, desde que os dados de inflação e atividade confirmem a trajetória atual.

Até lá, o Copom deve insistir na estratégia de paciência, reforçando a mensagem de que o combate à inflação ainda não terminou.

Para o mercado, a Selic a 15% já está precificada. O que pode mexer com juros futuros, câmbio e bolsa é qualquer nuance no discurso que altere o calendário esperado.

As informações são do portal O Antagonista.