FAB impõe sigilo a custos de voo que levou Motta e Gilmar ao Gilmarpalooza
Brasília

FAB impõe sigilo a custos de voo que levou Motta e Gilmar ao Gilmarpalooza

Por Joily Santos

Voo partiu de Brasília em 5 de novembro, com dez passageiros a bordo, em aeronave requisitada para atender ao presidente da Câmara

A Aeronáutica impôs sigilo aos custos operacionais de um voo da Força Aérea Brasileira (FAB) a Buenos Aires que levou o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para participar da primeira edição latino-americana do chamado “Gilmarpalooza”, fórum jurídico organizado pelo próprio magistrado, diz O Globo.

O voo partiu de Brasília em 5 de novembro, com dez passageiros a bordo, em aeronave requisitada para atender Motta. Diferentemente do que ocorre em outros deslocamentos oficiais, a lista de passageiros não foi divulgada.

Segundo a Aeronáutica, o pedido envolveu “motivos de segurança”, razão pela qual os nomes de quem acompanhou a autoridade não seriam tornados públicos. 

Além de omitir a relação de passageiros, o Comando da Aeronáutica classificou como “reservadas” as informações sobre os gastos do voo, incluindo despesas com combustível e tripulação.

Em resposta a um pedido feito pelo jornal carioca com base na Lei de Acesso à Informação (LAI), a Aeronáutica afirmou que cabe à autoridade solicitante manter o registro dos acompanhantes na viagem. A Câmara dos Deputados, por sua vez, apresentou versão distinta e informou que as listas de passageiros em voos da FAB ficam sob custódia do próprio Comando da Aeronáutica.

O sigilo imposto neste caso contrasta com um episódio anterior. Em julho, a Aeronáutica informou parte dos custos de outro voo da FAB requisitado por Hugo Motta para participar de evento organizado por Gilmar, então realizado em Lisboa, mantendo como reservadas apenas as despesas com combustível.

O evento jurídico, batizado de “Fórum de Buenos Aires”, ocorreu entre 5 e 7 de novembro e reuniu ministros do Judiciário, integrantes do Executivo, parlamentares, empresários e acadêmicos brasileiros e argentinos. 

Na abertura, Hugo Motta e Gilmar Mendes dividiram a mesa com autoridades como o ministro do STJ Luis Felipe Salomão, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o presidente da OAB, Beto Simonetti.

“As pessoas brincam com o nome Gilmarpalooza”
Em novembro, o ministro Gilmar Mendes minimizou as críticas ao fórum, apelidado de Gilmarpalooza.

O evento, organizado anualmente pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), do qual o ministro Gilmar é sócio-fundador, reúne a elite política, judicial e empresarial brasileira.

“As pessoas brincam com o nome Gilmarpalooza. A gente acha graça. Acha engraçado. Sabe assim, a rigor, é um case de sucesso”, afirmou Gilmar à BBC Brasil.

O decano do STF disse quem são os financiadores do evento e afirmou que “falar mal” do Gilmarpalooza é “ótimo”.

“Somos nós, somos nós [os financiadores]. É o próprio IDP [Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa], é a FGV [Fundação Getúlio Vargas], é a Universidade de Lisboa, a Faculdade de Direito. O Fibe, que é um fórum de integração Brasil-Europa, que é hoje um think thank que também trabalha nesse sentido, e as próprias pessoas. É um case de sucesso, cujo objetivo não é fazer fundos, nem… Se fosse esse o objetivo e se quisesse ter patrocínio, obviamente nós teríamos patrocínio da [Rede] Globo. Agora, as instituições se beneficiam do marketing. Você até falar mal do Fórum, para nós é ótimo”, afirmou. As informações são do portal O Antagonista.