Coluna da quinta-feira: As fragilidades do MDB de Pernambuco
A crise interna do MDB de Pernambuco, amplamente noticiada pela imprensa nas últimas semanas, escancarou a disputa entre o grupo liderado pelo presidente estadual Raul Henry e a ala alinhada ao senador Fernando Dueire e ao deputado estadual Jarbas Filho. O embate, que começou nos bastidores, ultrapassou o campo político local e terminou no Judiciário em Brasília, onde sucessivas decisões liminares ora devolvem o comando partidário a um grupo, ora favorecem o outro. O resultado é um ambiente de instabilidade que fragiliza profundamente a legenda em um momento decisivo do calendário eleitoral.
Essa insegurança jurídica já provoca efeitos diretos nos planos do partido para 2026. Como analistas vêm apontando, o MDB corre o risco de não conseguir atrair nomes competitivos para as chapas de deputado federal e estadual. Nenhum pré-candidato deseja se filiar a uma sigla cujo comando pode mudar a qualquer momento, alterando a direção política, o alinhamento eleitoral e até a estratégia de campanha. Sem uma definição clara, o MDB perde força e se afasta do debate central que deveria travar: sua própria sobrevivência eleitoral.
A indefinição sobre qual posição o partido adotará em 2026 aprofunda o impasse. Como convencer um aliado do prefeito João Campos a ingressar no MDB se não há garantia de permanência na Frente Popular? O mesmo ocorre com os apoiadores da governadora Raquel Lyra, que tampouco enxergam segurança para consolidar uma aliança. Sem direção política, o partido deixa de ser uma alternativa viável em qualquer dos dois campos que polarizam a cena pernambucana.
Ao final desse imbróglio jurídico e político, quem mais perde é o próprio MDB de Pernambuco — e, por consequência, o MDB nacional. Sem chapas competitivas, o partido corre o risco real de não eleger nenhum deputado estadual e, principalmente, nenhum deputado federal em 2026, o que afetaria diretamente o fundo partidário e o fundo eleitoral, ambos dependentes do desempenho nas urnas. Mantido esse cenário, a legenda pode chegar ao próximo pleito ainda mais fragilizada e distante do protagonismo que já exerceu na política estadual.
Chapa forte - O Republicanos de Pernambuco, sob a liderança do ministro Silvio Costa Filho, trabalha intensamente na montagem de uma chapa competitiva para deputado federal em 2026. Para 2026, a meta do partido é eleger entre quatro e cinco deputados federais.
Respeito, lealdade e gratidão - Na manhã desta quarta-feira, em entrevista concedida ao programa Cidade em Foco, da Rede Pernambuco de Rádios, o ex-vice-prefeito de Brejo da Madre de Deus, Josevaldo Lopes, o Cowboy, fez uma fervorosa declaração de apoio ao pré-candidato a deputado federal Carlos Costa. “Política se faz com respeito, lealdade e gratidão. Por isso estaremos juntos com você em 2026”, disse ele no programa.
Abandonado - E por falar em Brejo da Madre de Deus, quem também marcou presença no Cidade em Foco foi o blogueiro Sidney Lima, que na última eleição municipal disputou o cargo de vereador no município. Sidney revelou que foi abandonado pelos principais líderes do partido, não tendo recebido um centavo sequer de ajuda financeira, nem mesmo do fundo partidário do União Brasil. “Foi uma campanha difícil, limpa e 100% custeada pelo meu próprio bolso.”
Ingratidão - O pré-candidato a deputado federal, Carlos Costa está muito magoado, chateado com o ex-prefeito de Taquaritinga do Norte, Ivanildo Lero. No último mês de outubro Lero e seu grupo político anunciaram apoio à pré-candidatura de Juliana de Chaparral à Câmara Federal. “A justificativa foi que uma parte do grupo estaria indo com Juliana e ele não poderia ficar pequeno dentro do seu partido”.
Ingratidão II - Carlos Costa seguiu com sua lamentação. “Se eu fosse ele, teria dito: eu e minha esposa votaremos em Carlos Costa, por tudo o que ele fez por nossa cidade. Mas infelizmente ele não fez isso. Eu sei que são coisas que acontecem na política, mas eu teria feito diferente, não teria abandonado ele”.
Decência - Já em relação a Brejo da Madre de Deus, Carlos Costa teceu muitos elogios ao ex-vice-prefeito Josevaldo Lopes, o Cowboy. “É uma alegria muito grande poder trabalhar com Josevaldo, que é uma pessoa decente, que faz política com ‘P’ maiúsculo”, disse ele, acrescentando ainda que acredita que Josevaldo será o próximo prefeito eleito do Brejo.
A nova liderança - Em Santa Cruz do Capibaribe, a vereadora Jéssyca Cavalcanti tomou para si a responsabilidade de fazer oposição sistemática ao governo do prefeito Helinho Aragão. Com uma linha política contundente e corajosa, ela tem ofuscado os demais integrantes do seu grupo político, inclusive o deputado estadual Edson Vieira, que não tem participado do debate de temas locais nos últimos meses.
Raquel pelo Sertão - Depois de um início de semana com entregas na capital pernambucana, a governadora Raquel Lyra viaja até o Sertão do São Francisco para uma agenda na cidade de Lagoa Grande. Por lá, a gestora participará da formatura conjunta do Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd) e do Patrulheiro Mirim, além da abertura do festival VINHUVAfest.