“Cílios na régua” aumenta risco para os olhos, alerta especialista
Saúde Ocular

“Cílios na régua” aumenta risco para os olhos, alerta especialista

Por Redação

Vídeos que mostram pessoas cortando ou até retirando completamente os cílios têm viralizado em diferentes países e começam a ganhar espaço também no Brasil. Em barbearias e salões de beleza, a prática vem sendo justificada por razões estéticas: alguns homens associam cílios longos à feminilidade, enquanto outros acreditam que o corte garante um “olhar mais natural”. Apesar de parecer inofensiva, a tendência preocupa especialistas pela ameaça que representa à saúde ocular.

O oftalmologista Dr. Jerrar Xavier, do Hospital Santa Luzia, que é especialista em pálpebras e doutor em cirurgia, destaca que os cílios têm funções essenciais. “São estruturas dos anexos oculares imprescindíveis para um bom funcionamento dos olhos. Têm função de barreira física contra partículas e vento, filtram parcialmente a luz diminuindo o desconforto que ela pode causar, além de funcionarem como sensores de alerta para o olho piscar ao contato com algo que possa vir a ser nocivo”, explica.

Risco de infecções e inflamações

Segundo o especialista, cortar ou remover os cílios deixa os olhos vulneráveis a agressões externas. “O olho como um todo, principalmente a córnea e a conjuntiva, vão ficar mais expostos aos agressores físicos e biológicos. Levando a lesões nestas estruturas que, junto com a maior facilidade dos microrganismos patogênicos de atingi-las, vão levar a infecções e inflamações”, afirma Dr. Xavier.

Além disso, a ausência dos fios compromete o mecanismo de proteção ocular. “Vai diminuir o mecanismo de proteção da barreira dos olhos de partículas físicas e de micróbios e aumentar o ofuscamento pela luz”, completa.

A lubrificação ocular também pode ser afetada. Sem os cílios íntegros, parte do sistema de alerta é removida, prejudicando o reflexo de piscar. “A lubrificação natural do olho fica prejudicada pois vai deixar o olho mais exposto, levando a uma maior evaporação da lágrima. E a própria diminuição do piscar vai diminuir também o estímulo de produção e distribuição de lágrimas”, ressalta.

Alterações no crescimento dos fios
Outro ponto de atenção é que os cílios podem crescer de forma anormal após o corte, embora não seja uma regra. “Durante o corte, a raiz dos cílios pode sofrer danos e isso pode vir a afetar a anatomia desse cílio na fase de crescimento. Se esses cílios ficarem invertidos e tocando a córnea, vão levar a lesões mecânicas e consequentemente inflamações e infecções potencialmente graves”, alerta o especialista.

Além do risco imediato, essas mudanças também podem interferir na função protetora natural do olho, facilitando o surgimento de conjuntivites, ceratites e outros problemas inflamatórios. Mesmo que os danos não sejam percebidos imediatamente, os efeitos a longo prazo podem comprometer a saúde ocular, tornando necessária a avaliação oftalmológica periódica para evitar complicações mais graves.

Sintomas de alerta
Quem aderiu à prática deve estar atento a sinais que indicam problemas oculares para procurar atendimento médico. “Irritação constante ou sensação de olho seco, dor ocular, secreção e pálpebras inchadas”, recomenda Dr. Xavier.

A presença de qualquer um desses sintomas pode indicar inflamação ou infecção, sendo fundamental buscar atendimento profissional rapidamente. O acompanhamento precoce é essencial para prevenir complicações sérias, incluindo infecções recorrentes ou danos à córnea que podem afetar a visão de forma duradoura.

Moda passageira, riscos permanentes
Para o especialista, trata-se de uma moda impulsionada pelas redes sociais, mas com impactos sérios. “Essa é uma moda passageira com risco real para a saúde dos olhos que podem ser permanentes e que não valem a pena correr. Para preservar a saúde ocular, devemos preservar a anatomia dos cílios e consequentemente sua funcionalidade”, conclui Dr. Jerrar Xavier.