Copom mantém Selic em 15% ao ano diante de incertezas externas e inflação acima da meta
Por Roberto Oliveira
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou nesta quarta-feira (17) que manterá a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 15% ao ano. A decisão foi unânime entre os membros do colegiado. Essa é a segunda reunião seguida em que o Banco Central opta por manter a Selic no mesmo patamar.
O colegiado justificou a decisão apontando instabilidades no cenário externo e inflação acima da meta no Brasil. “O ambiente externo se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos. Consequentemente, o comportamento e a volatilidade de diferentes classes de ativos têm sido afetados, com reflexos nas condições financeiras globais”, afirma o comunicado.
O Copom destacou que considera a decisão compatível com a estratégia de convergência da inflação para perto da meta ao longo do horizonte relevante. “Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, declarou.
De setembro de 2024 até a reunião de junho deste ano, o BC elevou a taxa em 4,50 pontos, configurando o segundo maior ciclo de alta dos últimos 20 anos, atrás apenas do aumento de 11,75 pontos entre março de 2021 e agosto de 2022, ocorrido após o período de pandemia.
O Copom ressaltou que o cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. “O Comitê seguirá vigilante, avaliando se a manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta. O Comitê enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado”, acrescentou o texto.
O Comitê ainda informou que as expectativas de inflação para 2025 e 2026, levantadas pela pesquisa Focus, permanecem acima da meta, estimadas em 4,8% e 4,3%, respectivamente. “A projeção de inflação do Copom para o primeiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,4% no cenário de referência”, comunicou.
Votaram a favor da decisão desta quarta os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Diogo Abry Guillen, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti, Renato Dias de Brito Gomes e Rodrigo Alves Teixeira.
Com informações do portal Jovem Pan.